24.5.12

Os Suíços

Vivem num mundo surreal (para mim), muitas vezes tenho a sensação de estar dentro de um filme ou numa realidade paralela. Tenho duas colegas suíças da minha idade e quando temos conversas fico sempre com a sensação que realmente sou um alien. Elas nunca conheceram o desemprego e nunca tiveram a sensação de  desespero de saber que por mais que se tente não vamos conseguir uma solução para os nosso problemas financeiros. As duas têm contas poupança e de reforma desde o dia em que começaram a trabalhar, as duas já viajaram pela América do norte e do sul, pela Ásia e pela Austrália e falam disso que como se falassem de dar um salto a Madrid para o fim de semana. No outro dia uma das minhas colegas recebeu um convite para ir a Bali na semana seguinte e comprou o bilhete 3 dias antes da viagem. A outra, todos os anos faz uma grande viagem e costuma tirar 1 ou 2 meses não pagos para estar a vontade com o tempo e ainda poder ter férias quando volta, este ano vai tirar 3 meses para ir para a Tailândia. Nota-se claramente que cá não existe muito a preocupação de não ter emprego no dia seguinte, de não poder pagar a renda e de não ter dinheiro para sobreviver. Eles assumem que a sociedade funciona e vão ter sempre direito a uma vida decente.

Há uns dias o meu patrão disse que tinha visto notícias sobre Portugal e que tinha ficado espantado de perceber que mais de metade dos jovens não tinha trabalho. A minha colega ficou muito admirada e perguntou porque é que em Portugal as pessoas não queriam trabalhar. A ideia de não haver trabalho para tanta gente nem lhe passou pela cabeça. Da mesma forma que em conversa elas criticaram uma amiga filha de pais chilenos que tinha vivido com os pais até aos 25, apesar de já ter emprego. Não faz sentido nesta sociedade ter emprego e ficar em casa, tal como a não existe a ideia de que uma pessoa não ganhe o suficiente para se sustentar.

Muitas vezes oiço estas coisas e acabo por ficar calada, porque há coisas que não se explicam. Se me fossem dizer que há países onde uma pessoa se sente "segura financeiramente" eu nunca ia perceber o conceito verdadeiramente.

12.5.12

Sandálias

Cá, à semelhança de Londres, também acontece um fenómeno que acho interessante. Basta o calendário dizer que é Maio para andar toda a gente com roupa de verão e sandálias, mesmo que esteja a chover e não esteja calor nenhum. É como se as pessoas vestissem de acordo com a agenda e não de acordo com o que se passa lá fora.

Sol

Nunca vou perceber como é possível que um dia esteja o céu completamente limpo e 28 graus e no dia  seguir esteja nublado e a temperatura tenha descido para 18. Não é uma passagem gradual, não há tempo para nos habituarmos, se o sol vem é tentar aproveitar ao máximo. No entanto, não me posso queixar muito, o tempo na Suíça é muito melhor do que na Inglaterra ou na Holanda.


1.5.12

O Francês

Dá-me cabo da cabeça.

21.4.12

Montanhas

Aqui há montanhas por todo o lado, para onde quer que se olhe há sempre algo no horizonte.


A minha colega (suíça) foi passar férias a França e quando voltou disse que tinha adorado estar ao pé do mar, mas nunca conseguiria viver num país sem montanhas. Que achava estranho olhar à volta e ser tudo plano, era como se faltasse qualquer coisa. 

Suponho que todos nós temos algo deste género com o sítio onde crescemos. Para mim continua a ser estranho viver num sítio sem praia, sem mar. O lago é grande e é giro, mas nunca se poderá comparar.

15.4.12

Objecto A Objecto

Uma casa é composta de objectos grandes e de inúmeros detalhes, coisas que nem reparamos que estão lá. Uma grande parte dos meus amigos mudou uma ou duas vezes de casa. Da casa dos pais para a casa(s) onde viveram nos tempos de universidade e posteriormente para uma casa deles. Passaram pelo processo de comprar os bens necessários uma ou duas vezes. Porque mesmo tendo mudado de casa, quando é no mesmo país, é fácil enfiar tudo no carro e transportar para a casa nova. Eu mudei-me em Março para esta casa onde estou agora e todos os dias dou por falta de algo que me esqueci de comprar. No outro dia fiz um prato no forno e apercebi-me que ainda não tenho pegas de cozinha, uns dias depois molhei o chão e lembrei-me que ainda não tenho uma esfregona.
Nos últimos anos já mudei tantas vezes que penso que no total tive de comprar lençóis, toalhas, loiça, talheres, etc pelo menos umas 8 vezes. Já dei muitas coisas, outras pura e simplesmente deitei fora apesar de estarem em óptimo estado, no entanto quando se muda de país não se vai pagar uma fortuna para transportar canecas e edredões. Agora vou enchendo a casa, outra vez.

25.3.12

Há Dias Assim

Lavar A Roupa 2

Após alguma pesquisa descobri na amazon (adoro este site) uma "mini" máquina de lavar roupa. Mandei vir e hoje estive a experimentá-la e tenho de dizer que estou muito contente!

23.3.12

O Lago

Todos os suíços são obcecados com o lago. Ir passear ao pé do lago, ver o lago da varanda, comer ao pé do lago, viver perto do lago.

Eu acho que o lago disfarça bem e tem dias que parece o mar.

18.3.12

Lavar A Roupa

Estou a gostar de viver na Suíça, apesar de ser um país bastante calminho. No entanto, posso dizer que a coisa que mais me enerva neste país é o facto de ser extremamente difícil lavar a roupa. É raro os apartamentos terem máquina de lavar, porque todos os edifícios têm uma sala na cave com 2 máquinas para uso comum do prédio. Como se isto não fosse mau o suficiente, cada apartamento tem um dia e um horário especial para lavar a roupa que tem de ser respeitado. No novo apartamento o horário fantástico que eu tenho é o de segunda-feira das 11h às 16h. Como é óbvio, qualquer pessoa que trabalhe durante as horas normais não tem possibilidade para lavar a roupa. E é esta falta de flexibilidade que me irrita, estar limitada a um horário que não posso utilizar e não ter maneira de o contornar. Se a casa fosse maior e tivesse 2 casas de banho podia tentar falar com o senhorio e propor-lhe tirar o bidé ou um lavatório e instalar uma máquina de lavar roupa, que é o que muita gente acaba por fazer. Entretanto vou pensando numa solução.

14.3.12

Moda

Há uns dias vi um rapaz adolescente, com phones, calças largas e estilo hip hop com uma malinha Louis Vuitton. Ao início pensei que era engano, mas depois de ver uns quantos, perguntei à minha colega e ela confirmou que desde o ano passado essa era a moda cá, especialmente para o "grupo hip hop".

Realmente a moda é algo estranho. Basta de mudar de país para o mesmo fato passar a ser ridículo.

13.3.12

Chez Moi

Após uma longa procura acabei por encontrar casa e mudar-me há uma semana. É pequenota, mas tem uma bela vista do lago. Entretanto vou comprando coisas que já comprei tantas vezes antes, toalhas, lençóis, etc.

29.2.12

29

De Fevereiro! Gosto do dia.

25.2.12

Samedi

Hoje tive a oportunidade de ir passar a manhã a umas piscinas de água quente em Lavey. Posso dizer que adorei. Estar num jacuzzi de água bem quente ao ar livre no Inverno é uma sensação fantástica. Para além das piscinas tinham salas para relaxar, sauna e banho turco. Para quem quer descansar não há nada melhor.

21.2.12

Só Digo Isto

Fondue de queijo.

20.2.12

Língua

A nossa língua materna é uma ferramenta extremamente importante para a nossa vida diária. Pequenas coisas diárias dependem de podermos comunicar com as pessoas, como por exemplo ir ao banco, procurar casa, telefonar. É impressionante como nos sentimos impotentes quando estamos num sítio cuja língua não dominamos. Tudo é antecipado e ensaiado e uma pequena tarefa ganha uma enorme importância. Será que vou perceber quando a pessoa responder? E no fim, quando corre bem, fico com uma enorme sensação de vitória por ter conseguido ir ao banco sozinha ou ter conseguido falar com uma imobiliária por telefone. São as pequenas coisas.

19.2.12

16.2.12

Há Uma Semana Atrás

Back To Life

O tempo tem passado muito depressa, demasiado para fazer, coisas novas para descobrir. Estou aqui há menos de 3 semanas e já me parecem meses.

Queria escrever um pouco sobre o processo de vir para cá trabalhar, embora isto seja apenas a minha percepção e possa haver informação mais correcta noutros locais. No meio da confusão toda o que me parece mais fácil é mesmo conseguir emprego. A Suíça não faz parte da União Europeia, logo para se trabalhar cá é necessário obter um permit de trabalho.

Para obter este permit é necessário ir à comuna do cantão onde se reside com o contrato de trabalho, fotografias tipo passe, cartão do cidadão ou passaporte, cédula pessoal e uma declaração do tribunal com o cadastro. Com estes documentos é quase sempre concedido o permit, que pode demorar até 30 dias a chegar e que custa 90 francos (mas acho que o preço varia). Existem três tipos: o C, o B e o L. O C é melhor, é o que equivale a ser suíço, o B é para contratos de tempo indeterminado e penso que tem uma duração de 5 anos e o L que tem a validade de 6 meses e que não permite fazer muitas das coisas que se podem fazer com os outros 2.

De seguida abri uma conta no banco. Foi muito fácil, basta levar o passaporte, eu levei o contrato de trabalho também, embora ache que não era necessário e já está. Não precisei de depositar dinheiro nenhum, nem de dar prova de morada.

Outra burocracia importante a tratar são os seguros que são obrigatórios. Tive de comprar um seguro de saúde que custa cerca de 250 francos mensais, um seguro de responsabilidade civil (sim, a sério) e um seguro que cobre danos feitos no recheio da casa, que custam cerca de 180 francos por ano.

Dito assim até parece simples e no meu caso até foi porque tenho tido a ajuda preciosa de pessoas fantásticas que me levaram directamente aos sítios certos me ajudaram com o francês. O que me me leva a dizer que o melhor conselho que posso dar a alguém que queira vir para cá é: aprender bem francês.

Eu fiz um curso intensivo na alliance française, mas não foi o suficiente. Quanto mais estudarem em casa, menos dificuldades vão ter por cá. Eu continuo um bocado às aranhas, embora ouvir todos os dias ajude. E fiquem cientes que aqui quase ninguém fala inglês de bom grado. Já tive de falar inglês uma vez ou duas e sinto-me mal sempre que tenho de o fazer.

Posso também dizer que o meu trabalho tem boas condições, o ordenado é certamente atraente, mas os custos de cá viver são consideráveis. É difícil pagar menos de 40 francos num restaurante.

E agora a parte interessante, arranjar casa é um pesadelo. As rendas normalmente ficam por um terço do ordenado, nada mau. Em londres as rendas são muito caras, mas existem milhares de casas, aqui as rendas são acessíveis, mas é preciso ter muita sorte ou uma grande cunha para conseguir alugar uma casa. Para começar, só se pode alugar uma casa com o permit de trabalho (que pode demorar até 30 dias) e a grande maioria das casas exige 3 recibos de ordenado e 3 meses de caução. O que significa que na maior parte dos casos só é possível alugar uma casa no quarto mês, um T1 que custe 1500 francos por mês vai ter investimento inicial de 6000 francos (1ª renda e caução), mais o preço de mobilar a casa. Até lá as opções passam por alugar um quarto, ficar num hotel ou ficar em casa de amigos. E o processo de aluguer é estranhíssimo, as pessoas que estão na casa e vão sair encarregam-se das visitas, e a agência imobiliária trata do processo. Quando há pessoas interessadas na casa, estas têm de preparar um dossier para entregar na imobiliária e vai ser avaliado. Há tantas pessoas a procurar e tão poucas casas que as agências se dão ao luxo de mandar pessoas embora.

A conclusão é que os primeiros meses são muito duros. Em termos de adaptação, em termos de língua, burocracias e em termos de custos. Estar cá com o dinheiro de Portugal não é nada fácil, mas tudo deve melhorar a partir do momento em que se recebe o primeiro ordenado.

Outras curiosidades que me saltaram a vista são o facto de nas moradas não escrever o andar, nem o apartamento, escreve-se o nome da pessoa e o carteiro procura quando chega. Toda a gente tem Iphone, toda a gente mesmo. A comida é fantástica, ando perdida com os queijos e os chocolates.

1.2.12

Frio

Cheguei à Suíça no meio de uma onda de frio.

O que vale é que as casas são mesmo quentinhas.