Hoje estive em Londres, mas gostava de ter estado em Lisboa. Também sou uma dessas pessoas que está à rasca e daí eu estar em Londres.
Quando sai de Portugal a primeira vez, sai porque não queria ter as condições de trabalho que os meus colegas me descreviam, mas sai também pela aventura. Nunca tive realmente vontade de trabalhar em Portugal, porque nunca vi um futuro com dignidade. Quando perdi o emprego devido à crise e tive de voltar para Portugal experimentei, pela primeira vez, o que é ser precário, estar a falsos recibos verdes, ter patrões que enganavam, mentiam, exploravam e exigiam muito mais do que tinham direito. Saía de casa às 8 e chegava a casa às 20, dias de doença, feriados e férias não eram pagos e o ordenado só era recebido quando as pessoas os começavam a ameaçar de não irem mais. Como se isso não bastasse, tudo o que lá se passava era ilegal, software, falsos recibos verdes, documentos falsificados, etc, etc. E ainda olhavam para mim como se eu tivesse de lhes agradecer por ter a oportunidade de passar os meus dias inteiros ali. O dinheiro dava para comer e para gasolina. Tomei a decisão de me despedir, porque começava a perder o respeito por mim própria. Depois disso não voltei a encontrar emprego e ao fim de alguns meses desisti, porque já estava a planear o mestrado.
No entanto, eu queria ficar em Portugal. Voltar a Londres custou-me, mas sei que foi a melhor decisão que podia ter tomado, porque não havia nada para mim em Portugal.
Que esta manifestação seja a primeira de muitas.